Sociedade

(ATUALIZADO) Uso de drogas não legitima agressão e morte de menor em SP

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No início da semana de carnaval, dia 26 do mês passado, o menino João Victor Carvalho, de 13 anos, foi morto após ser agredido e arrastado em via pública por seguranças da rede de lanchonetes Habib’s, na zona norte de São Paulo. De acordo com testemunhas, o jovem teve um mau súbito após ser perseguido pelos seguranças da lanchonete e agredido apenas por que pedia dinheiro para as pessoas do local. Hoje, 9 dias após a morte de João Victor, o Instituto Médico Legal (IML) afirma no laudo da perícia que o garoto morreu de infarto no miocárdio pelo uso de lança-perfume.

A tentativa de abafar a culpabilidade dos funcionários do Habib’s e criminalizar o menino pelo uso de drogas é clara, principalmente quando vemos a mídia dar ênfase maior à situação humilde de João (como se isso fosse motivo para a perseguição insana e agressões contra ele) e agora dar destaque ao uso das substâncias entorpecentes. De acordo com uma matéria no portal G1, ” o resultado do exame descarta em tese, a possibilidade de a morte do garoto de 13 anos ter sido causada após uma agressão”. Mais absurdo que isto é dizer uma coisa dessas após o vídeo de parte da agressão, com o garoto já morto, ter viralizado na web.

No vídeo é possível ver o garoto já desacordado sendo arrastado pelos funcionários da lanchonete no meio da rua entre os carros. De acordo com testemunhas que viram as agressões, ele tentava fugir dos três homens que lhe alcançaram dando socos na sua cabeça, em seguida eles o arrastaram pela rua e no meio do caminho o garoto fica desacordado, o que não impediu que os funcionários continuassem lhe puxando como se fosse um objeto qualquer, cena que pode ser vista no vídeo da câmera que flagrou este trecho da agressão.

Infelizmente, ao que parece, a polícia quer logo acabar com as investigações, pois já se agarra no laudo do IML. No documento, além de relatar traços de clorifórnio e tricloroetileno (compostos do lança-perfume), também é dito que foi encontrado cocaína no sangue de João. Até mesmo escoriações no corpo do menino foram desconsideradas e o laudo não às relaciona com as agressões dos funcionários. Em contrapartida há várias testemunhas e um vídeo para confirmar que as agressões ocorreram, porém a apatia da polícia jurídica e a falta de coerência da PM que omitiu a ação dos funcionários contra o garoto no Boletim de Ocorrência, são provas na verdade de que há uma blindagem da rede de lanchonetes e seus jagunços.

A retórica barata de que o possível uso de drogas do garoto tenha sido o único motivo de sua morte é mais uma desculpa desta máquina de moer carne que é o Estado Burguês. Culpar a vítima para salvar de polêmicas as instituições do poder vigente não é uma tática usada só agora e, para refrescar nossas mentes vamos voltar para setembro de 2015, quando um jovem morreu nas mãos de seguranças do metrô de São Paulo e a desculpa para abafar o caso foi justamente a mesma que usaram contra João agora. Na época, Isaac tomé do Nascimento, de 17 anos, foi morto após ser perseguido e em seguida agredido entre as estações Anhangabaú e Sé, mas de acordo com o legista do caso, antes mesmo de qualquer laudo ter sido produzido, o garoto tinha problemas do coração e que o uso de drogas teria sido a causa da morte, porém, de acordo com amigas de Isaac, o jovem foi agredido e enforcado com um golpe mata-leão por seguranças do metrô.

Busca por justiça

No caso de João, além das provas de agressão através das testemunhas e do vídeo, há o depoimento do pai dele afirmando que o garoto recebia ameaças dos seguranças do Habib’s cerca de dois meses. Segundo ele, João Victor ia com frequência à porta do estabelecimento para pedir dinheiro às pessoas e nunca causou constrangimento a ninguém.

O pai foi avisado do ocorrido por sua vizinha, Silvia Helena Croti, de 59 anos, que também é uma das testemunhas do caso. Catadora de materiais recicláveis, Silvia disse em seu depoimento que por volta das 19h, viu João Victor correndo dos funcionários da lanchonete na rua, quando conseguiram alcançar o menino um deles segurou o jovem pelo pescoço e o agrediu com um “violento soco na cabeça”, depois o arrastaram desacordado pela rua. Uma equipe do Samu chegou a socorrer João Victor, mas antes mesmo de chegar ao pronto-socorro do Hospital Mandaqui ele teve uma parada respiratória e morreu.

Semana passada, dia 2, cerca de 300 pessoas protestaram em frente ao Habib’s da Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte de São Paulo, para pedir pela investigação e justiça no caso.

(((ATUALIZAÇÃO DO CASO)))

De acordo com o site Pragmatismo Político,  o Médico que assinou o laudo de João Victor, desativou sua conta no Facebook e desapareceu após as revelações de que é fã de Bolsonaro e militante da redução da maioridade penal. Durante esse meio tempo, um assessor da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, debochou da morte do garoto nas redes sociais. Confira abaixo os links para mais detalhes:

Sobre o caso do médico fã de Bolsonaro.

Sobre o assessor da SSP.

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