Cultura e Resistência

Em 2016, PM age como em 1964 contra atores reprimindo peça teatral

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Foi no ano de 1968, após a imposição do Ato Institucional Nº5 (AI5) imposto pelo regime militar, que o teatro brasileiro sofreu sua maior repressão, onde espetáculos eram invadidos pelos soldados da ditadura, elencos inteiros eram presos por exercerem sua função e junto a diretores e autores exilados ou torturados por contestarem o autoritarismo do Estado através das peças teatrais. Décadas depois, já em 2016, mesmo achando que vivemos em um ambiente de liberdade de expressão, ainda vemos cenas de repressão como aquelas vividas na ditadura se repetirem de forma gratuíta.

Desta vez em Santos, litoral de São Paulo, onde a “Trupe Olho da Rua” foi impedida pela Polícia Militar de terminar o espetáculo “BLITZ – O Império que Nunca Dorme”, feito ao ar livre para diversas pessoas em uma praça da cidade. O fato ocorreu neste domingo (30) e na ação truculenta da PM um dos atores foi preso arbitrariamente.

No vídeo acima é possível ver a atuação da Trupe, durante a peça que contesta o atual sistema policial e ironiza o trabalho da PM, que é a que mais mata e morre no mundo. Em um ato do espetáculo  os atores se beijam e é nesse momento que os policiais intervem na peça e começam a repressão. Antes mesmo da intervenção policial, cerca de dez viaturas já cercavam a praça.

Pessoas que filmavam a ação truculenta da PM foram coagidas a desligarem seus celulares, alguns até tiveram seus aparelhos tomados das mãos e “apreendidos”. De acordo com informações das pessoas que estavam no local, a PM agiu com violência e agrediu as pessoas, principalmente o ator Caio Martinez que em seguida foi preso sendo lançado para dentro da viatura. Os outros atores da peça também foram levado à delegacia.

A peça fazia parte de um Sarau que no mesmo dia terminaria na Vila do Teatro. De início os policiais haviam dito que a intervenção foi por conta do som alto no local, mas logo em seguida no meio das discussões com as pessoas que se indignaram com a ação truculenta, um dos policiais afirmou que “o problema é o tom da peça”.

Impossível não ligar a atitude infeliz da Polícia Militar aos duros anos de chumbo que vivemos de 1964 até a redemocratização do país, além disso, a atitude mostra que junto aos diversos outros casos de abuso policial contra a liberdade de expressão que vemos ocorrer diariamente ainda não nos desvinculamos dos obscuros anos de mordaça da ditadura. O Ministério Público irá denunciar a ação da PM.

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