Cultura e Resistência

Poucas alternativas de lazer e um cinema abandonado na periferia

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Grande parte dos próprios moradores da região da Zona Norte de São Paulo não sabe que existe um cinema abandonado na região e que poderia se tornar alternativa cultural. Legado dos tempos em que estabelecimentos como esse não se restringiam à segregação dos Shoppings Centers, eles ficavam na rua, muitos em bairros afastados dos grandes centros e próximos do povo.

Na rua Raimundo da Cunha Matos, na altura do número 350, no bairro de Vila Morro Grande, está situado o imóvel desativado há pelo menos 40 anos.

O cinema foi instalado por Thomáz de Mello Cruz, que era dono de uma tecelagem na região juntamente da pedreira que esta desativada desde a década de 1980. Além desses empreendimentos, a religiosidade do proprietário deu vida a Igreja de Santa Clara, local igualmente em ruínas hoje.

A moradora do bairro, Silvana Mariano, relembra o tempo que viveu na infância. “Estudei no Santa Clara, há 35 anos atrás, meus filhos também estudaram lá. Cheguei a comprar tecidos na tecelagem com minha mãe, mas nessa época o cinema já não funcionava mais ”, contou ela.

O espaço do cinema é um prédio com quatro andares espaçosos, janelas quebradas, pedregulhos e paredes descascadas e pichadas, limitando-se apenas a oferecer espaço aos meninos da região que brincam de esconde-esconde por todos os cantos.
Segundo Luiz Brito, Assessor da Subprefeitura de Freguesia/Brasilândia, existe interesse, mas a Prefeitura até o momento não disponibilizou projeto algum de compra do espaço.

“Existe um movimento na região que é composto por ativistas culturais e artistas, onde eles reivindicam a construção de um espaço cultural no local com o apoio da Supervisão de Cultura desta Subprefeitura, porém trata-se de uma área particular e não há nenhum projeto de compra da área por parte da Prefeitura de São Paulo”, ressaltou.

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O ativista Dimas Reis Gonçalves, conta sobre uma ocupação no local. “Já ocupamos em 2009, fomos convidados ‘gentilmente a ir até o DP’. Cheguei a falar com o pessoal da SPCine, gostaram muito, mas teríamos que fazer uma grande mobilização para ter financiador e comoção publica”, analisa ele.

O que poderia ser um centro cultural, ainda é mera especulação, afinal, pouco interesse por parte do poder público foi esboçado até então.

Um contato foi feito com a família Mello Cruz, que hoje mantém o Instituto Mairiporã, entretanto, até o momento não respondeu para passar mais informações sobre o local e seus planos em relação à propriedade no futuro.

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