Sociedade

PM mata com três tiros, estudante praticava aula de educação física no RJ

Compartilhe isso:

“Eu sairia as 16:20, estava com a turma do 6º Ano. Ouvi três tiros de pistola. Coloquei todos sentados e em silêncio em local seguro. Ouvi mais rajadas de fuzil. Gritos. Controlando a turma, boatos vinham, diziam: menina baleada”, relata uma professora em um texto no site da Mídia Coletiva. O que a servidora do ensino público presenciou junto aos seus alunos aconteceu ontem (30), na Escola Municipal Daniel Piza durante operação de policiais do 41º Batalhão da Polícia Militar no Morro da Pedreira, zona norte do Rio de Janeiro. A aluna baleada é Maria Eduarda, de 13 anos, que morreu após receber três tiros, um na cabeça, um na nuca e outro nas costas enquanto fazia aula de educação física na escola.

No mesmo dia, dois homens suspeitos foram executados por policiais. A execução foi flagrada por uma gravação em vídeo e mostra os dois homens já baleados no chão e em seguida recebendo tiros de fuzil a queima roupa pelos policiais militares.

A morte de Eduarda é mais uma prova do fracasso da guerra às drogas no Brasil, por conta desta guerra há um massacre acontecendo ao povo preto e pobre no país, que é o maior atingido por essa política de repressão. Desde quando as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) foram implantadas no Rio, os investimentos em segurança chegam a quase um bilhão, só para se ter uma ideia básica disso, entre 2008 e 2015, o investimento do Governo do Estado do Rio de Janeiro na repressão foi de R$443 milhões, enquanto na educação foram R$210 milhões e na saúde R$310 milhões. O porcentual chega à 111% a mais de investimento na segurança em comparação com a educação e de 22% a mais que na saúde, a diferença é gritante e escancara um projeto de polícia falido que colabora no sucateamento do sistema de ensino e da saúde.

Eduarda tinha acabado de ganhar uma bolsa para ir estudar em um colégio particular como aluna atleta, jogava vôlei e havia ajudado ao colégio conquistar diversas medalhas nos campeonatos interescolares da modalidade. Ontem praticava o esporte que lhe dava sonhos e quando foi beber água recebeu os três tiros. A população da comunidade se mobilizou logo depois de saberem da morte de Eduarda, enquanto a família da estudante chorava por sua morte, policiais ridicularizavam a situação. No relato da professora que abre esta matéria ela conta como foi atmosfera daquele momento tão difícil para todos: “cada grito de desespero era uma nova morte; o desespero e perplexidade dos alunos vendo o corpo, deitados no chão, e não sabendo o que fazer; a insensibilidade dos policiais militares que, nem ao lado do corpo da criança, pararam de rir, zombar e atiçar a dor da população”.

dudaalves

A polícia do Rio de Janeiro é a segunda que mais mata no país, fico atrás apenas de São Paulo. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado em outubro do ano passado, 3.345 pessoas foram mortas por policiais em 2015 em todo o país (ao menos nove pessoas por dia só no Rio), apenas no Rio foram 645, somando 61 a mais do que no ano anterior. Em São Paulo, 848 pessoas foram mortas por policiais no mesmo ano. Sozinhos, Rio e São Paulo contam com 1.493 mortes decorrentes de intervenções policiais, 45% do total registrado no país.

Em dados da ONG internacional Human Rights Watch, divulgados em julho de 2016, a Polícia Militar do Rio de Janeiro matou mais de 8 mil pessoas em uma década. Em 2015, para cada policial morto em serviço no Rio de Janeiro, a polícia matou 24,8 pessoas, isso é o dobro do que ocorre na África do Sul e três vezes a média dos Estados Unidos.

A morte de Eduarda não ficará para trás e segunda-feira (3), um ato está marcado para protestar contra a morte da estudante. Com o nome de “Parem de matar nossos estudantes”, o manifesto está previsto para as 10h em frente à Prefeitura do Rio de Janeiro.

 

Compartilhe isso:

Comente

Comentários

Powered by Facebook Comments