Opinião

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Como nos alertou há alguns anos o pensador Samuel Huntington em “O choque de civilizações”, sua obra mais aclamada, os atuais e os próximos conflitos se darão na esfera cultural, na luta de povos contra povos. Como efeito das ações globalizantes mundo afora, a hegemonia dos Estados Unidos prevaleceu, com isso, a predominância dos hábitos de consumo estadunidenses consolidou – se em nossa já conhecida moral de mercado que parece dizer uma única coisa: “aqui não há espaço para culturas opostas”.

Neste aspecto, diversas nações que priorizavam acima de tudo suas culturas, sentem– se impelidas à contra atacar numa clara tentativa de frear o avanço dessa nova ordem, fato esse que culminou no atentado às torres gêmeas do World Trade Center em Nova York em setembro de 2001.

Ora, caro leitor, você deve estar a se perguntar: “terroristas são seres inescrupulosos e isso não tem nada a ver com cultura!”. Pois há duas respostas para isso: essa relação entre cultura, valores e violência é mais tênue do que se pensa. Na tentativa de preservar o pouco que resta da essência de suas sociedades, grupos radicais se levantam para disputar o espaço perdido, e nisso, temos o exemplo de Síria, Nigéria, Líbia e Sudão. A segunda questão é mais simples: Terroristas são seres inescrupulosos? Sim, são. É evidente.

Mas em nome de quê ou de quem pagamos esse preço? Vamos falar um pouco mais de terroristas, tudo bem, mas vamos citar todos, e a partir desta premissa me vem a cabeça alguns outros nomes: Vietnã, Afeganistão, Hiroshima e Nagasaki, Ilhas de Granada e El Salvador, isso pra não citar todos e tornar o texto enfadonho.

Portanto, caro leitor, pagamos um preço pela desmoralização da política em prol do capital, que nas palavras de Bauman se traduz em trocar a liberdade pela segurança.

Pagamos o preço pelo nosso etnocentrismo ocidental que reconhece apenas sua práxis. Pagamos um alto preço. Pagamos um preço por agredir primeiro e de maneira desigual.

Crédito da imagem: Carlos Latuff

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