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Operação da Polícia Civil do RS invade residências na tentativa de criminalizar anarquistas

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Na última quarta-feira (25), a Polícia Civil do Rio Grande do Sul invadiu residências e espaços libertários  em Porto Alegre e Região Metropolitana. Entre os locais estão a Ocupa Pandorga da Azenha e o Instituto Parrhesia, que tiveram publicações e equipamentos de trabalho sequestrados pela operação policial, os locais são públicos e conhecidos por promover projetos sociais junto à vizinhança da região. A operação nomeada Érebo (nome fruto da mitologia grega considerado a personificação da escuridão e filho do deus Caos) foi comandada  pelo delegado de Polícia Civil, Paulo César Jardim, que ao todo emitiu 10 mandatos de busca e apreensão.

Segundo a polícia, estudantes universitários são suspeitos de coordenarem ações criminosas e atentados à concessionárias, carros luxuosos, uma igreja católica e contra a polícia. No geral foram apreendidos materiais de leitura anarquista, faixas, cartazes, máscaras, latas de spray e garrafas de plástico, todos considerados elementos “subversivos” pelo delegado que não compreende que já vivemos em tempos onde o livre pensamento deve ser respeitado.

O devaneio do meganha chega ao ponto dele considerar o grupo de estudantes “quadrilheiros do mal”, para isso usou como argumento a cartilha “Bem-vindo ao Inferno”, título de material de leitura feito na época dos protestos do G-20, que foi encontrado na operação.

De acordo com a FAG (Federação Anarquista Gaúcha), essa é a quarta investida repressiva em 10 anos contra os libertários do RS. A FAG também destaca em seu site o modo antigo de criminalização de movimentos combativos autônomos. “O discurso criminal e individualizador sobre os radicais é um artifício antigo pra assustar e desmobilizar, plantar confusão e desconfiança, neutralizar a atração de um sindicalismo de ação direta ou os marcadores combativos que pode subir o tom do movimento popular. Querem cabrestear a rebeldia levando pro juízo fácil do noticiário uma fantasia de quadrilha de propósitos confusos”, detalha em um trecho da nota.

Em um dos absurdos que se baseia a ação criminalizadora da polícia é apreensão de garrafas de plástico, que segundo o delegado são para produzir coquetéis molotov. Porém as garrafas pet continham apenas pedaços de plástico e jornal em seu interior, normalmente usadas para bio construção.

Em entrevista coletiva (que pode ser assistida na íntegra no vídeo que acompanha esta matéria) a militante da FAG, Lorena, fala um pouco sobre a controversa operação policial e sobre o real compromisso dos anarquistas diante das lutas sociais no Rio Grande do Sul e em todo o país.

Nós  não precisamos nos esconder, nós estamos ai publicamente, não temos medo de sair com nossa ideologia nas ruas, é  um momento turbulento principalmente para os de baixo, porque a retirada de direitos é brutal, é sentida na carne do trabalhador, é sentida na carne dos indígenas, dos negros, das mulheres, do público LGBT, absurdo total o que estamos vivendo na sociedade brasileira hoje em dia e é como se nós não tivéssemos muitas alternativas, porque alguns discursos infelizmente ainda dizem que nós devemos esperar as próximas eleições para ver se nós conseguiremos mudar. Nós já partimos do pressuposto que temos que construir a mudança do amanhã com as ações de hoje, com a greve estadual, com a greve municipal, nos piquetes, nas ocupações, é nesse compromisso que os anarquistas estão envolvidos, construindo a luta social”, explica Lorena.

Neste momento, militantes autônomos vivem uma intensa luta contra medidas de austeridade do governo do RS, tais medidas vem atingindo principalmente servidores públicos do Estado, vários setores do serviço público, como a educação, estão em greve no Estado.

Sem provas que reforcem as acusações o delegado Jardim tenta incriminar os militantes anarquistas, mostrando que há uma raiz repressora se desenvolvendo contra a organização social, autônoma e combativa. Isso se aprofundou em 2013, com a perseguição não só de militantes  como também midiativistas espalhados pelo Brasil.

Um ato contra a criminalização está marcado para amanhã (28), às 18h, no Ateneu Libertário A Batalha da Várzea, na Rua Lobo da Costa, 147, Azenha, em Porto Alegre.

Toda força aos lutadores.

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