Sociedade

Minas e manos estão lutando pela liberdade de Rafael Braga

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Já era 17h, quando nossa reportagem chegou, de longe víamos um aglomerado razoavelmente grande de pessoas na porta do Ministério Público do Rio de Janeiro. Em poucos minutos sairíamos em caminhada pelas ruas do centro da cidade para cobrir a marcha pela liberdade de Rafael Braga, único preso remanescente das lutas de junho de 2013. A  Campanha pela Liberdade de Rafael Braga Vieira havia convocado para hoje (7/8), uma marcha para pressionar o judiciário, já que amanhã ocorre o prosseguimento ao julgamento do Habeas Corpus feito pela defesa de Braga. Na semana passada um dos juízes, Luiz Zveiter, fez um pedido de vista do documento e  até agora dois juízes votaram contra, se favoráveis, os argumentos de Zveiter podem alterar os votos contrários.

Ato ocorrendo na frente do Ministério Público, no centro do Rio. Foto: Kauê Pallone/Megafonia

Com a possibilidade do resultado ainda ser favorável à defesa, apoiadores e coletivos ocuparam as principais vias da região central. Do MP o ato seguiu pela Av. Antônio Carlos contornando pela 7 de Setembro e indo até à Cinelândia pela Av. Rio Branco. No trajeto o ato foi combativo e deu o recado à população sobre a situação que vive Rafael Braga, as pessoas recebiam folhetos que explicavam o caso enquanto os manifestantes denunciavam o racismo do Estado e a violência policial em cada grito que davam.

A marcha terminou nos arcos da Lapa, onde de punhos cerrados as pessoas gritavam “liberdade para Rafael Braga”, a região fica próxima de onde Rafael foi preso pela primeira vez enquanto trabalhava com reciclagem durante a dispersão de uma manifestação em 2013. Preso com garrafas plásticas de Pinho Sol e água sanitária, ele foi julgado e condenado por porte de artefato explosivo e nem mesmo um laudo técnico atestando a impossibilidade explosiva do material foi considerado para que ele tivesse sua liberdade.

Em dezembro de 2015, Rafael saiu em condicional, monitorado por uma tornozeleira, ele voltou a morar na Cascatinha, favela da Vila Cruzeiro, tinha um emprego fixo em um escritório de advocacia e estava ao lado de sua família novamente. Mas, depois de um mês policiais da UPP da região forjaram um flagrante contra Braga e com 9,6 gramas de drogas e um morteiro, prenderam Rafael com a acusação de que ele fazia parte do tráfico local. Com um julgamento onde todas as alegações da defesa foram desconsideradas pelo juiz Ricardo Coronha, que apenas se baseou no depoimento dos policiais militares, Rafael foi condenado há 11 anos de prisão por tráfico de drogas e associação ao trafico.

Cartaz com o rosto de rafael e mensagem pedindo o fim da UPP. Foto: Kauê Pallone/Megafonia

O pedido de Habeas Corpus feito pela defesa tenta quebrar a falta de justiça do estado diante de Braga, de acordo com a campanha que luta pela sua liberdade o pedido serve para “zelar pela dignidade humana, um dos princípios básicos garantidos pela constituição, baseando-se no já cumprimento de uma parte da pena enquanto estava sendo julgado, na sua conduta e na absurda condenação de 11 anos de prisão por menos de 10 gramas de drogas”.

O julgamento pode começar às 13h amanhã, no mesmo local onde foi feito semana passada, no Beco da Música, número 175 – sala 101 – lâmina IV.

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