Política

Greve geral é marcada por repressão

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Junho, mês que na agenda das lutas sempre estará relacionado com o ano de 2013 e às lutas contra o aumento na passagem do transporte público em vários estados do Brasil. De lá para cá o sistema político só piorou, nas ruas se fez necessário o combate ao avanço da direita nas fileiras da luta de classes, fantasmas do período militar voltaram a assombrar o cotidiano e a perseguição policial contra manifestantes se tornou cada vez mais recorrente. Estamos em 2017,e nesse ano junho terminou com mais uma greve geral se espalhando, ontem (30/6), por todo o país, onde em diversos estados foi possível registrar a mobilização dos trabalhadores contra as reformas e medidas de austeridade do governo de Temer.

Ato da noite em dia de greve geral no Rio. foto: Kauê Pallone/Megafonia

No Rio de Janeiro, da manhã até o fim da tarde foram registrados diversos atos espalhados pela cidade, trabalhadores das mais diversas áreas se mobilizaram na luta contra a perda de direitos e principalmente para denunciar o sucateamento do Estado e suas instituições, o que no caso do Rio de Janeiro já é motivo para decretar estado de calamidade. A noite a greve geral fluminense teve seu desfecho com um grande ato que tomou a Avenida Presidente Vargas, no centro do Rio, quase todas as faixas da via foram tomadas pela população.

O trajeto do ato terminou na Central do Brasil e apesar de pacífico durante toda a caminhada sofria com a intimidação de homens infiltrados na manifestação que tentavam a todo custo causar confusão entre os manifestantes. Os suspeitos P2 (entenda o que são aqui) começaram a provocar as pessoas e até a agredir a imprensa, além deles bate-paus da CTB tentavam dividir o ato, quando no meio da confusão a PM começou a repressão jogando uma bomba, em seguida começou a resistência do povo contra a violência policial e o centro do Rio de Janeiro queimou mais uma vez.

Tiros de bala de borracha foram disparados contra a população, assim como as bombas de gás e de efeito moral, que eram lançadas para todos os cantos, atingindo até mesmo moradores de rua que dormiam nas calçadas e frequentadores dos bares na região, além de trabalhadores que voltavam para casa, mas que foram impedidos por conta do efeito asfixiante das bombas de gás que eram lançadas em ruas estreitas do centro.

Policia disparando contra manifestantes e abaixo uma das barricadas feitas para atrasar a repressão. Foto: Kauê Pallone/Megafonia

Além do Rio de Janeiro, houve repressão em São Paulo, manifestantes foram presos de forma arbitrária e a PM também atacou a imprensa.

Os efeitos da greve geral ainda não podem ser colocados na balança enquanto não houver um acirramento na ocupação das ruas, já dizia Bakunin que “quando as greves ampliam-se, comunicando-se pouco a pouco, é que elas estão bem perto de se tornar uma greve geral; e uma greve geral, com as ideias de liberação que reinam hoje no proletariado, só pode resultar em um grande cataclismo que provocaria uma mudança radical da sociedade”. E assim como em junho de 2013, onde a efervescência da revolta popular se fazia presente cada vez mais a cada dia que passava e que a população ocupava as ruas, hoje precisamos resgatar esse mesmo espirito, ainda mais em um momento onde o cenário político brasileiro se afunda em um sistema autoritário e reformista austero. Não dar espaço para oportunistas, ocupar as ruas, avançar nas estratégias e desconstruir para recriar as linhas auxiliares da luta é uma pauta urgente a ser colocada em prática.

Não se sabe ao certo quando ocuparemos as ruas novamente ou quando vamos bater de frente contra o sistema, as estratégias não se esgotaram, só precisam voltar a serem colocadas em prática diariamente, pois assim como o Estado pisa rotineiramente no cotidiano da população e nos direitos conquistados, essa mesma população precisa se levantar e trocar sua rotina atual por uma vivência revolucionária que bata de frente com as barreiras que o governo quer impor às liberdades do brasileiro.

 

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