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Filosofia, deliciosa loucura do saber

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Incompreendida por muitos, a Filosofia ainda é
considerada coisa de “maluco”

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A Filosofia tem a fama de ser distante ou ininteligível por parte do chamado cidadão médio e principalmente por alunos em período escolar. Contudo, um dos fatores que colaboram para que muitas pessoas tenham essa visão é causada pela imagem disseminada pelos meios de comunicação que insistem em representar o filósofo de maneira estereotipada, como alguém que vive em outro plano astral ou completamente fora da realidade.

Muitas vezes esses mesmos meios reforçam a ideia de que ela é feita para poucos “eleitos”, ou até mesmo que ela pode deixar seus leitores “malucos”. Seria isso mesmo? O contato com a filosofia é perigoso?

A loucura pode ser combustível para o ato filosófico, segundo Lúcio Júnior Espirito Santo,41, que é formado em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), enfatiza. “A loucura sempre ronda a filosofia. No entanto, ela é o contrário da loucura, pois demanda o uso da razão”, ressalta ele. Portanto, de acordo com Espirito Santo, toda filosofia é acompanhada de uma dose de loucura, entretanto, quem a comanda é a racionalidade.

Diante de tal afirmativa, Espirito Santo nos leva a uma afirmação pertinente. “Erasmo de Rotterdã escreveu ‘O Elogio da Loucura’, Althusser matou a mulher e pôs fogo na escola”. Ou seja, existe uma proximidade, embora trágica em alguns casos, mas para ele o caso mais emblemático é o do pensador alemão Friederich Nietzsche. “Nietzsche não filosofou louco. Uma vez louco, ele era sereno”, seria exatamente o contrário para ele, os verdadeiros loucos não filosofariam.

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O gaúcho Eduardo Vandré Garcia, 50, que possui doutorado em Filosofia do Direito na Universidade de Freiburg, na Alemanha, ao ser questionado nos diz. “A questão fundamental da filosofia é a verdade. O que é verdade? Como ter acesso à verdade? Qual a verdade possível? Isso se aplica para muitos tipos de ciência”, lembra ele. Com isso, Garcia nos leva ao questionamento principal:

Onde está a loucura?

Segundo Garcia, a busca pela verdade é infinita, por isso, em sua maioria, os filósofos são vistos como loucos pela sociedade porque não param de fazer perguntas. “O filósofo olha para uma árvore e pensa: eu vejo uma árvore; eu sei que é uma árvore. Mas como eu sei que é uma árvore? Isso que vejo é uma árvore porque há uma convenção entre os homens que resolveram chamar isso de árvore ou a árvore em si mesma causou o nome que se lhe atribuiu?”.

O filósofo vai além das perguntas, quer descobrir a verdade que há por trás delas, e nesta questão, Garcia explica. “Essas são as perguntas que um filósofo se faz, e quem olha de fora, realmente acha que são perguntas tolas de um louco, pois todo mundo sabe que uma árvore é uma árvore”, aponta ele.

Quando lhe perguntamos se a arte da Filosofia pode enlouquecer alguém, ele é curto e grosso. “A filosofia liberta. Ela não melhora nem torna ninguém pior. Ela simplesmente mostra o mundo como ele realmente é”, finaliza.

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Já psicóloga clínica Marcelha Leone, 36, é enfática ao desmistificar a ideia que ronda os mais desavisados. “As pessoas podem enlouquecer por diversos fatores, traumas físicos, doenças fisiológicas que podem afetar psicologicamente, uso abusivo de substâncias, pré-disposição genética a patologias psíquicas. Há pessoas que podem enlouquecer lendo a Bíblia ou o Alcorão. Penso que tudo é uma questão de contexto”, ressalta a psicóloga.

Dentre tantas premissas, se há algum tipo de loucura no saber, Nietzsche já alertava em sua máxima: há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.

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