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Dias Piores Virão – Lado A (rebeliões subterrâneas e Estado Policial na Bahia)

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Por Aganju Shakur – Da Reaja ou Será Mortx (Link original aqui)

“Os departamentos de policia e as forças armadas são as duas armas da estrutura do poder, os músculos de controle e coação. Possuem armas terríveis para infligir a dor no corpo humano. Sabem como causar mortes horríveis. Tem cassetetes para espancar o corpo e cabeça. Tem balas e revolveres parar abrir buracos na carne, para pulverizar os ossos, para aleijar e matar. Empregam a força para lhe obrigar a fazer o que as autoridades decidiram que você deve fazer.”(Eldridge Cleaver [1])

Faixa Intro –  De acordo o Anuário Brasileiro de Segurança Publica[2] todos os dias nove  pessoas são assassinadas no Brasil  em decorrência de  intervenções policiais, sendo que  entre  os anos de  2004 a 2014 , 20.420 pessoas foram assassinadas em ações policiais no Brasil. O país ocupa atualmente o ranking número um; no quesito letalidade na ação policial, superando inclusive, países como Honduras que é considerado por agencias internacionais como o pais mais violento do mundo em termos proporcionais.  Ainda segundo esse mesmo relatório, o aparato policial brasileiro é reconhecido internacionalmente por seu padrão operacional racialmente seletivo,  que tem levado a óbito , quase que invariavelmente; jovens homens negros.  Para  termos uma noção do trauma em curso, apenas entre os anos de 2011 e 2015, foram registrados cerca de 278.839  mortes violentas intencionais[3]  no Brasil, sendo que no  mesmo período de tempo  a Síria – em guerra civil declarada- registrou cerca de  256.124 mortes violentas. Esse conflito que estamos chamando de guerra racial de alta intensidade,  alcançou proporções apocalípticas na Bahia , ao ponto que atualmente 12 pessoas são assassinadas todos os dias por disparos de arma de fogo [4].

No entanto, não estamos aqui para tratar de dados, tabulações estatísticas  ou tubos de ensaio. O trauma, drama e dilema de nosso povo não pode ser quantificado nas curvas de nível, tabelas e nas bravatas cínicas de pesquisadores  que ao mesmo tempo em que “denunciam” a matança em arquivos de PDF, estão ganhando frondosos recursos das Secretarias de Segurança Publica para legitimação da Guerra Racial de Alta Intensidade. Esses relatórios, anuários e observatórios é mais  um Lobby financeiro, que  tem garantido  cargos subalternos  aos/as Linhas Auxiliares  e enchido os cofres  do seus senhores brancos em universidades, secretarias  segurança publica e fundações. Como bem nos alertou o coroa,

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Saiu o novo Mapa da Violência no Brasil, maior frenesi, aquele tititi de facebook, e uma quantidade monstra de analise sobre nosso holocausto. Parece, na verdade, mais ibope e propaganda que um verdadeiro sentimento da dor que nos consome. O Mapa da Violência não passa de um lobby bem sucedido sobre nossa desgraça coletiva que deu grana pra institutos e pesquisadores, não mudou nada, não trouxe nada novo para o debate do ódio que se tem contra nós (BORGES-WALÊ, 2016)[5].

Cabe acentuar que nossa tarefa é analisar como a execução sumaria e a aplicação da pena de morte extralegalpor parte de agentes do Estado,  contra jovens homens negros, tem sido o principal dispositivo operacionalempregado pela Secretaria de Segurança Publica para o emprego de sua politica criminal militarizada e genocida. Em um primeiro momento arrolaremos casos emblemáticos[6] de execuções sumarias de jovens negros cometidos em operações policiais na capital baiana e das ações comunitárias subterrâneas  de enfrentamento ao terrorismo policial. Em um segundo momento, centraremos nossa analise em um ponto de vista intracomunitário; que situa como as mortes violentas de jovens negros cometidas por agentes do Estado, estão inseridas dentro de umadoutrina racial militarizada , que legitima a brutalidade policial e Terrorismo de Estado contra a comunidade negra; nesses termos, execuções sumarias de jovens negros, massacres  e chacinas são o Modus Operandi  por excelência   da Guerra Racial de Alta Intensidade protagonizada pela SSP-BA.

Faixa I- Ecos  de uma rebelião subterrânea.

Eu quero Justiça![7]” vociferou o pai do jovem Negro Geraldo Neto, 19 anos, morto a tiros de pistola Ponto 40, no dia  18/03/2016,  durante uma ação da Policia Militar no Engenho Velho de Brotas, em salvador-Ba. O jovem foi abatido em uma operação do Esquadrão Águias de Motociclistas, que de acordo versão da PM, alvejou os jovens a tiros por terem fugido de uma abordagem. Ainda segundo a corporação foram encontrados um revolver calibre 38, trouxinhas de maconha e quatro pinos de cocaína. Familiares, amigos/as e a comunidade do Engenho Velho de Brotas  de maneira geral contestam a versão da policia  e organizaram por vários dias uma serie protestos comunitários, interditando  vias com madeira e pneus queimados[8].  .

“Eles já chegaram atirando[9]  afirmou  um dos vizinhos do jovem negro , Leandro Gomes Monteiro,18 anos,  conhecido como Leo, que foi morto a tiros em uma ação da policia militar na manhã do dia 12/05/2016 em um dos bairros que compõem o subúrbio ferroviário de salvador . De acordo versão da PM o jovem estava envolvido junto com um suposto comparsa em um assalto a ônibus e após evadirem, foram encontrados feridos “misteriosamente” por uma guarnição da 19ª CIPM (Paripe) e levados para o Hospital do subúrbio. Entretanto familiares  e amigos discordaram da versão da corporação e organizaram uma sequencia  de protestos comunitários, na região de Fazenda Coutos,  onde interditaram simultaneamente vias expressas da Rotatória de Paripe, Final de Linha de Coutos e Escola de Menores.

“Eu quero saber o que aconteceu[10]disse o pai do adolescente  negro Murilo dos Santos Barbosa, 17 anos, assassinado no dia 22/06/2016 com tiros nas costas no bairro do IAPI em Salvador-Ba. De acordo a narrativa da PM o jovem teria sido alvejado em uma troca de tidos com quatro homens, que teriam fugido após os disparos, leo teria sido socorrido por  policiais da 37ª CIPM e encaminhado para o Hospital Ernesto Simões Filho, onde veio a óbito. Os familiares e amigos  contestam veementemente a versão e afirmam que o jovem foi alvejado covardemente pelas costas por policiais do Esquadrão Águia quando  passou direto em uma Blitz. Ainda segundo familiares toda a ação teria  tido testemunhas, além de vídeos de segurança do comercio da região, entretanto, com medo de represálias os comerciantes locais se recusaram a disponibilizar as imagens para os familiares do adolescente assassinado.

“Ele ia casar no Final do Ano[11]relatou um dos familiares de Gilson Barbosa da Cruz, 23 anos, assassinado a tiros no dia 29/06/2016 no bairro do Pero Vaz em Salvador. De acordo familiares policiais militares chegaram atirando a esmo na Rua Das Larvas, um dos disparos atingiu o abdômen de Gilson que ainda foi socorrido.  Após a morte do jovem uma serie de protestos que pararam a Avenida São Martin culminaram na queima de três ônibus e um micro-ônibus no final de linha do Pero Vaz. Após semanas de protesto  Guarnições da 37 CIPM, Operações Gêmeos e Rondesp BTS, foram deslocadas para região com o intuito de desmantelar e criminalizar as  manifestações comunitárias, que foram caracterizadas pela policia como ações orquestradas pelo trafico de drogas .

11947545_1046170622062608_8494904655565107610_n“Quero Justiça[12]!” disse a mãe do jovem negro  Adilton Souza de Santana, 28 anos, morto a tiros no dia 23/10/2016  no bairro de Valeria em Salvador. De acordo o pastor da igreja que Adilton frequentava o jovem tinha acabado de sair do culto, junto com esposa e filha de um ano, quando ao passar por  uma viatura , foi alvejado por policiais em serviço. Após o assassinato moradores, familiares e amigos do ajudante de pedreiro organizaram  uma manifestação em direção a BR-324, onde queimaram objetos na pista, hastearam cartazes pedindo justiça .O protesto foi duramente reprimido por guarnições da Rondesp e da 31ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Valéria), que utilizaram de  balas de borracha, gás lacrimogênio e bombas de efeito moral contra os manifestante, ferindo inclusive, mulheres , crianças e estudantes da rede estadual que participavam da manifestação .

Os policiais chegaram atirando[13]afirmou uma das tias do jovem negro  William Alexsandro Fiuza Conceição, 18 anos, assassinado durante uma operação policial no bairro de Santa Cruz em Salvador-Ba. De acordo familiares e amigos, policiais da Rondesp, fortemente armados com fuzis tripé e com mascaras pretas cobrindo o rosto, invadiram a comunidade atirando a esmo, atingindo William no tórax, que depois de cair ferido, mas ainda vivo, foi alvejado novamente com um tiro no crânio. Após o assassinato os moradores e familiares revoltados realizaram uma manifestação tocando fogo em objetos e quase incendiando um ônibus.

Faixa II- O exercito Policial como estratégia da SSP na guerra racial de alta intensidade na Bahia.

Os casos emblemáticos de execuções sumarias listados evidenciam como o Governo da Bahia tem baseado sua politica de segurança publicaem  uma estratégia belicista, que  tem resultado na matança generalizada de jovens negros e na militarização das comunidades negras. De fato operações policiais em larga escala e hiper-militarizada, tem deixado, nos últimos 14 anos, de ser um cotidiano   exclusivamente das favelas cariocas e passou a ser uma engenharia policial presente em todo território nacional .

O governo da Bahia tem se destacado em difundir o discurso de “ Guerra as Drogas” e estruturado uma narrativa institucional que defende como legitimo  a matança de negros, desde que essas mortes, sejam alocadas ideologicamente  na conta nefasta do “ combate a criminalidade”.  A guerra racial às drogas tem sido um recurso militar estatal de aniquilação racial que, tal como o dispositivo ideológico da democracia racial, tem o objetivo tático de encobrir o crime doloso fundacional do Estado Brasileiro; Genocídio.

Na ultima década  o governo federal  tem investido corporativamente em uma politica criminal genocida, que tem brutalizado e criminalizado não somente os jovens negros, mas as famílias negras de maneira geral[14]. Na Bahia as forças policiais têm sido utilizadas pela SSP-BA como um exercito domestico auxiliar que através da alcunha de “combate a criminalidade” tem dirigido operações de guerra em regiões urbanas superpovoadas, com utilização de veículos blindados, helicópteros e armamento de alta potencia.

 Os investimentos no arsenal demonstra o nível de comprometimento do Governo petista  com a matança em curso. Em 2013 o então Governador da Bahia, Jaques Wagner ( PT) , investiu cerca de 44 milhões na compra de 370 viaturas, 8.440 armas- entre pistolas e metralhadora-, 17.900 coletes balísticos, além de uniformes e muita munição de grosso calibre.[15] Dando continuidade a estratégia de militarização da Segurança Publica,  recentemente o Governador  Rui Costa ( PT) anunciou a compra de  1,4 mil  veículos  –  caminhonetes, mini vans e motos –   um investimento de aproximadamente  100 milhões de reais.  Mas que não supera  os  260 milhões investidos na construção do Centro de Operações e Inteligência de Segurança Pública 2 de Julho[16].  Como o maior centro de operações policiais da América do Sul, o COISP-2 de Julho, conta com cerca de 400 funcionários e uma mega unidade operacional que agrupa todas as forças de repressão do Estado da Bahia, articulando o uso militar de tecnologias digitais  a vigilância   disciplinar da população, através do monitoramento de 1000 câmeras integradas, que captam imagens do metrô de salvador, das Br-324/116, além de imagens de câmeras da iniciativa privada[17].

A estratégia nacional de militarização da segurança publica[18] tem tornado as forças de segurança verdadeiros exércitos policiais; e nesse quesito o estado da  Bahia tem se destacado. Nesse contexto, as forças policiais Militares, que nas democracias modernas de massa teriam a função do policiamento ostensivo e da manutenção da ordem publica, passam a exercer de sobremaneira uma função que em tese só exerceriam em regimes de exceção; força auxiliar e reserva do Exercito.  Esse exercito policial, orientado por uma doutrina racialque legitima a morte em grande escala de jovens negros, orienta suas ações operacionais através do recurso tático da Guerra Total, utiliza de tecnologias de controle e monitoramento populacional, além do uso de alta tecnologia armamentista em áreas densamente povoadas por negros/as, com o imperativo estratégico de conseguir abater o maior numero de inimigos possível.  Como aponta Luis Mir,

O grande fim das novas armas utilizadas no controle de multidões ou repressões urbanas em áreas selecionadas é ampliar o grau de agressão que pode ser administrado por um único agente. Essa escalada militar da policia é feita com a incorporação de armas exclusivas dos arsenais militares, armas automáticas, rifles, submetralhadoras etc, que aumentaram o poder letal da policia; cm isso um único policial pode matar muitos inimigos ao mesmo tempo (MIR, GUERRA CIVIL, P.409).

O conflito bélico racialmente organizado na Bahia tem encontrado nas mídias corporativas – brancas e negras – poderosos aliados na consolidação de Agencias Linhas Auxiliares de Comunicação que tem legitimado e naturalizado; no plano da dita  opinião publica; as mortes de jovens negros decorrente de intervenções policiais. De um lado  os grandes conglomerados midiáticos brancos bombardeiam a população com propaganda Pró-militarização da ação policial, recrudescendo a cultura da violência e   retroalimentando o discurso conservador de que “ bandido bom é bandido morto[19]. Por outro lado o Lobby da comunicação Pró-Igualdade racial – e suas corruptelas – tem gerenciado o silencio  comunicacional que assola as mídias negras de maneira geral, e mais que isso, tem consolidado uma narrativa discursiva no interior da politica racial brasileira, que defende que o sucesso financeiro-intelectual da elite negra institucional- e suas crias- deva ser garantido por todos os meios necessários, mesmo que o preço a pagar seja capitulação racial  e os corpos dos 50 mil jovens negros assassinados anualmente no Brasil.  A palavra de ordem é: Um Self  a cada corpo no chão!?

Ao esboçarmos um breve histórico de ações policiais letais e insurreições comunitárias nos últimos oito meses na em Salvador , podemos averiguar como a execução sumaria e aplicação extralegal da pena de morte tem sido praticas operacionais estruturantes de uma doutrina militar   racial que tem operado  a partir da  logica de abater um inimigo interno. Além disso, pudemos apurar como o padrão operacional mórbido da corporação policial tem destruído famílias negras todos os dias,  utilizando do engodo ideológico da “guerra as drogas” para justificar a intensidade bélica do conflito. Por fim, mas não menos importante, cabe ressaltarmos que táticas insurrecionais de pequena escala – trancamento de avenidas e incêndio de ônibus-  tem sido utilizadas com maior intensidade como método comunitário por excelência na denuncia publica das execuções sumarias de jovens negros na Bahia.

Faixa III– Interlúdio.

 Nos quartos sujos, nas esquinas fedorentas e escuras dos guetos, homens negros conscientes amaldiçoam a própria covardia e olham fixamente os rifles e revolveres espalhados sobre as mesas, tremendo como se desejassem que o impulso de valentia corresse através de seus corpos e os impelisse as ruas, aos berros e atirando para todos os lados, na policia. As mulheres negras olham para seus homens como se estes fossem lacraias, curiosos mecanismos de carne representando um jogo de esperar. A violência torna-se um pombo-correio voando através dos guetos a procura de um cérebro negro no qual possa se empoleirar durante uma estação – Eldridge Cleaver, Em Alma no Exilio.

Faixa IV- Dias Piores Virão

Nos últimos 14 anos o Governo federal tem investido volumosos recursos financeiros na militarização daPolitica de Segurança Publica, estratégia essa, que tem colaborado para o aumento exponencial dos índices de letalidade na ação policial em todo território nacional. Nesse contexto a Lei Antiterrorismo[20] sancionada pela ex-presidente Dilma Rousseff, apenas revelou publicamente o grau de comprometimento da esquerda branca institucional com a militarização do Estado e com a destruição de organizações politicas que vão de encontro aopacto social eleitoreiro. Mas nada esta tão ruim que não possa piorar.

Juntamente com a Pec do Fim do mundo[21]e o cancelamento de cerca de 55 mil benefícios do bolsa família[22] – só na Bahia- , o governo interino supremacista branco de Michel Temer anunciou recentemente a liberação de um recurso de aproximadamente 800 milhões de reais para ser investido no fundo nacional  de segurança publica[23], na compra de equipamentos para as policias estaduais, força nacional e na construção e reforma de presídios.  Ou seja, tal qual o governo de EX-querda deposto, é evidente o compromisso organizacional da supremacia branca de direita em consolidar uma estratégia de segurança publica belicista, que tem na estruturação de exércitos policiais seu modus operandi por excelência.

Não sejamos ingênuos; nunca fomos santos muito menos fracos.  Estarmos por nossa própria conta é uma constante na história de nosso Povo. Não é diferente nesse momento histórico de quebra do pacto social da supremacia branca de EX-querda e Direita. As barricadas agendadas do Dia Nacional de Greve, por Nenhum direito a menos [24] demonstraram o quão a EX-querda branca institucional esta soterrada em seus próprios escombros, cronicamente apodrecida na institucionalidade e na cultura politica do arrego como método. Por mais que seja bonitinho o Fofismo estudantil tirando Selfis em frente de “barricadas”.  Por mais que seja democraticamente sadioa policia fechando o transito para as centrais sindicais desfilarem em seu dia de rebeldia episódica. Dias piores virão. O combate será cada vez mais cruel, intenso,  subterrâneo. Não podemos nos deixar devanear  pelo ativismo deMeme  ou pelas caricaturas politicas que se espalham por todo Brasil no mês de novembro sequestrado pelas Linhas Auxiliares. A necropolitica estatal  tomara novos contornos na geopolítica racial global com a ascensão do bilionário Donald Trump a Presidência dos EUA; a guerra racial será intensificada e publicamente declarada. Entretanto, não podemos nos emocionar com as lagrimas de crocodilo do mordomo Obama, ou como multiculturalismo genocida deHillary Clinton; são ambos  molas mestra da engrenagem o “ Demônio e seus assessores direto[25]”..

No Brasil os negros morrem como baratas; disse o coroa certa vez para um repórter visivelmente assustado.  Eu vi. Estávamos lá. Alguns nunca esquecem os estampidos.  Era mês de agosto e na época a Campanha Reaja ou será Morta\o estava bloqueando a Avenida Suburbana, junto com amigos/as e familiares de Alex Carlos dos Santos[26], 19 anos e Luiz Henrique Sacramento Cerqueira[27] (Riquinho), 20 anos; Jovens homens negros que tinham sido executados covardemente  com tiros nas costas,  por  quatro homens encapuzados, trajando roupas pretas e  brucutus[28]. Quatro anos depois, ano após ano, jovens negros continuam na mira dos grupos de extermínio [29] na Bahia e, por mais que pareça absurdo, a corporação policial tem incorporado institucionalmente o modus operandidos esquadrões da morte.

Quatro anos se passaram e apesar de alguns/as contrariem prematuramente uma espécie de síndrome politica da Enantiodromia [30]e adentrarem nos escombros do derrocado projeto Linha Auxiliar da Promoção da Igualdade, outras tantas cousasnão mudam na Bahia Genocida. ; saiu o Sionista Jacques Vagner, adentrou no palácio de Ondina o Fascista Rui Corta; e de chacina em chacina, as execuções sumarias de jovens homens negros, tem sido a mola mestra de sustentação  da   Guerra Racial de Alta Intensidade na Bahia , que  travestida de Politica de Segurança Publica  tem utilizado  o embuste  ideológico da “ Guerra as Drogas”  para aplicar uma  Doutrina criminal  Genocida.

Faixa Bônus – Boletim Diário

Segundo informações, dois homens foram alvejados de tiros na manhã de hoje, 31, na comunidade do Rosarinho. Um dos homens que foi atingido não resistiu e acabou morrendo. O corpo se encontra no local para a perícia e o outro foi encaminhado para a Santa Casa de Misericórdia de Cachoeira onde foi socorrido e em seguida foi transferido para o hospital de Santo Antônio de Jesus, não sabemos o seu estado de saúde.


[1]  Leia o Livro Alma no Exilio

[2]  Ver em http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/10/1827079-nove-pessoas-sao-mortas-por-policiais-a-cada-dia-no-pais.shtml

[3]  Por mortes violentas intencionais estamos tratando de; homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenção policial.

[4] Ver mais em http://www.correio24horas.com.br/detalhe/bahia/noticia/bahia-e-o-estado-em-que-mais-se-morre-por-arma-de-fogo/?cHash=350008e3b38a64d24ef0fa2eb241a9eb

[5] Ver mais em  http://reajanasruas.blogspot.com.br/2016/08/estamos-levantando-nossa-bandeira-por.html

[6] Por casos emblemáticos não estamos aqui tratando de excepcionalidades, mas sim, das experiências de morte violenta de jovens negros, que quebraram as linhas de comunicação da supremacia branca e forçam a  mídia racista  corporativa a noticiar esses casos. Cabe ressaltar que esses “ ruídos de comunicação” vem a publico a partir da ação direta e comunitária de Familiares, parentes e amigos/as dos jovens assassinado.

[7]  Ver mais em http://www.correio24horas.com.br/detalhe/noticia/eu-quero-justica-diz-pai-de-jovem-morto-a-tiros-durante-acao-da-pm-no-engenho-velho-de-brotas/?cHash=7f2077e9935e072a51821e769968a69c

[8] Ver mais em  http://www.correio24horas.com.br/detalhe/salvador/noticia/ele-pediu-pelo-amor-de-deus-nao-me-mate-diz-vizinha-de-jovem-morto-no-eng-velho-de-brotas/?cHash=10c1e662cdf90ecb50b0d74fce3fe905

[9] Ver mais em http://www.correio24horas.com.br/detalhe/salvador/noticia/apos-protesto-rodoviarios-param-em-fazenda-coutos-e-comercio-fecha/?cHash=59a136e7d3779644ce12948e177f2eae

[10]  Ve mais em  http://www.correio24horas.com.br/detalhe/salvador/noticia/eu-quero-saber-o-que-aconteceu-diz-pai-de-adolescente-morto-em-suposta-troca-de-tiros-no-iapi/?cHash=94e123319a3669202e400b93512e07d9

[11] http://www.correio24horas.com.br/detalhe/salvador/noticia/familia-diz-que-jovem-morto-em-pero-vaz-era-trabalhador-e-nega-tiroteio-com-a-pm/?cHash=9eb741e9c64057e7a28498296825f40c

[12]  Ver mais em  http://www.correio24horas.com.br/detalhe/salvador/noticia/quero-justica-diz-mae-de-ajudante-de-pedreiro-morto-pela-pm-assista/?cHash=c1403249f864eb7e251439845899b4df

[13]  Ver mais em http://www.correio24horas.com.br/detalhe/24h/noticia/familia-de-jovem-morto-em-santa-cruz-contradiz-versao-da-policia/?cHash=1a084a885a9680b20bdaa6259c3d3a53

[14]  Um exemplo da doutrina racial  presente na Politica de  segurança publica da Bahia,  pode ser esboçada na declaração feita pelo então Governador Rui Corta ( PT) que defendeu publicamente o indiciamento familiar de país de jovens que estevam em situação de conflito com a lei. Ver em http://www.bocaonews.com.br/noticias/politica/polatica/134305,polacia-esta-autorizada-a-indiciar-pais-por-crimes-dos-filhos-menores-diz-rui.html

[15] Ver mais em  http://www.policiaeviola.jornalfolhadoestado.com/noticias/985/governo-da-bahia-entrega-370-viaturas-e-equipamentos-de-armamento-para-reforcar-a-seguranca-do-estado

[16]  Ver  mais em  http://www.ssp.ba.gov.br/2016/07/1237/Centro-de-Operacoes-inicia-nova-fase-da-Seguranca-Publica.html

[17] http://www.ssp.ba.gov.br/2016/07/1237/Centro-de-Operacoes-inicia-nova-fase-da-Seguranca-Publica.html

[18]  Dizemos nacionais, pois  o atual modelo  militarizado de segurança publica adotado em diferentes regiões do Brasil,  faz parte da engrenagem de governabilidade da morte negra adotado pelo governo democrático popular do PT na ultima década. Postura essa não meramente discursiva mas também comprovada pelos autos recursos investidos em tecnologias de morte e repressão evidenciados internacionalmente durante os protestos contra a Copa do mundo e as Olimpíadas no rio de janeiro.

[19]  De acordo pesquisa encomendada pela Secretaria de direitos Humanos da Presidencia da Republica, 43% os brasileiros/as concordam co a afirmação;  bandido bom é bandido morto.

[20] http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2016/07/21/aprovada-em-2016-lei-antiterrorismo-permitiu-prisao-de-suspeitos

[21] Proposta de Emenda Constitucional 241 determina  o congelamento de gastos públicos até 203, além de congelar o aumento real do salário mínimo, também indexado à inflação. Ou seja, uma  pretensa medida de “austeridade fiscal” que na pratica ai destruir com direitos básicos da população.  Ver mais emhttp://www.vice.com/pt_br/read/tudo-o-que-sabemos-sobre-a-pec-241

[22]  ver mais em http://g1.globo.com/bahia/noticia/2016/11/bolsa-familia-e-cancelado-para-55-mil-beneficiarios-na-ba-por-irregularidades.html

[23]  ver mais em http://oglobo.globo.com/brasil/temer-anuncia-788-milhoes-para-construcao-melhoria-de-penitenciarias-20376643

[24] Ver  mais em http://www.cut.org.br/noticias/11-de-novembro-dia-nacional-de-greve-por-nenhum-direito-a-menos-cc7f/

[25]  referome aqui a um verso do rapper Black Alien em sua musica America 21

[26] Alex Carlos dos Santos tinha feito um curso voltado à construção civil e atuava como ajudante de pedreiro; estudante no turno noturno da Escola Estadual Ivone Vieira Lima, evangélico
[27] Luiz Henrique Sacramento Cerqueira tamem atuava no ramo da construção civil.

[28]  Ver mais em https://www.youtube.com/watch?v=D9-BVWGdPeE

[29] Uma breve mensão a Materia de Lena de Azevedo, sobre Grupos de extermínio na Bahia;http://apublica.org/2013/07/jovens-negros-na-mira-de-grupos-de-exterminio-na-bahia/

[30] Sobre Enantiodromia ver em: http://paulorogeriodamotta.com.br/enantiodromia-dicionario-junguiano/

 

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