Política

Da queda de um avião à ascensão do ministro insustentável

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Era uma tarde chuvosa do dia 19 de janeiro, quando sobrevoava acima do mar de Paraty o avião de modelo Beechcraft C90GT, prefixo PR-SOM, que havia saido do aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, às 13h (horário de Brasília). Na aeronave estavam a massoterapeuta Maíra Lidiane Panas Helatczuk, de 23 anos, sua mãe Maria Hilda, de 53, seu patrão Carlos Alberto Fernandes Filgueiras, 69, dono do avião e do hotel Emiliano, o piloto Osmar Rodrigues, 53, e por último Teori Zavascki, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). Após duas tentativas frustradas de pouso no aeroporto de Paraty a aeronave caiu no mar, matando todos  que a ocupavam.

A morte do ministro Zavascki começava a ser disparada na mídia e todos os tipos de teorias eram jogadas no ventilador, até mesmo a de que o avião teria sido sabotado. No mesmo dia o jornal Folha de São Paulo subia uma matéria em seu site sobre o futuro da Operação Lava Jato, já que Teori era relator da investigação, e no pé da reportagem um parágrafo informava que “Amigos do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, por sua vez, apostam no advogado, que sempre quis assumir uma cadeira no Supremo e, desgastado no cargo pelo agravamento da crise carcerária poderia ocupar um posto mais técnico”.

A matéria de poucos caracteres dava informações sobre os desejos de Alexandre de Moraes em ascender na carreira, logo ele que naquela época era apenas conhecido como invasor de escolas ocupadas sem ter em mãos qualquer documento que legalizasse sua intervenção e por prender estudantes e manifestantes arbitrariamente através da PM paulista enquanto Secretário de Segurança Pública de São Paulo, ou então por ser chamado de ministro insustentável pelo editorial do jornal O Estado de São Paulo ao dar declarações contraditórias e absurdas na mídia já como ministro da Justiça, posição que alcançou logo após o impeachment de Dilma Rousseff.

Talvez ninguém tinha noção do momento Mãe Diná que rolava naquele parágrafo, mas pasmem, Alexandre conseguiu o que queria. Nesta Semana o Presidente Michel Temer indicou o nome de Moraes como substituto de Teori Zavascki no STF.

Logo após o anúncio de Moraes como indicado de Temer à ministro do STF a comunidade jurídica começou a se manifestar, muitos comparam este momento como quando em 2002, Fernando Henrique Cardoso indicou o ministro Gilmar Mendes ao Supremo, o resultado nós já sabemos, jogo de politicagem ao invés da chamada justiça. Na situação de Alexandre não muda muito, papagaio de Alckmin na repressão contra estudantes nos últimos anos quando foi secretario de segurança do governador paulista e agora como ministro da justiça ele leva sua gestão na base do sujeito falador, favorável a interesses ruralistas como no caso da demarcação de terras indígenas. Abertamente e até de forma bizarra se mostra favorável à falida guerra às drogas prometendo erradicar a maconha da América Latina. Em um vídeo feito no Paraguai ele se “exibe” de forma bem estranha cortando pés de maconha, confira abaixo.

E a tal da crise penitenciaria, como é que Alexandre lidou com ela? Para quem não sabe, o país vive (apesar de a mídia já ter esquecido) uma verdadeira barbárie em penitenciárias de diversos Estados onde facções rivais estão se matando na mão, pedra, pau e faca, ao mesmo tempo escancaram o sucateamento e abandono que vive o sistema carcerário brasileiro. Em novembro do ano passado, o Estado de Roraima chegou a pedir ajuda do Governo Federal para os problemas que estava vivendo com as penitenciárias, mas o pedido foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes, porém para a mídia ele mentiu dizendo que o documento que havia recebido pedia apenas por ajuda na segurança pública, o que foi desmentido pela divulgação do documento original na mídia reforçando a versão de Roraima.

De volta aos tempos de Sampa, Moraes fazia o que queria diante do aval de seu governador, chegou a omitir dados sobre mortes em decorrência de ação policial nas estatísticas oficiais da Secretaria de Segurança Pública. Na época em que tentou esconder os dados ocorreu uma das maiores chacinas feitas por policiais no Estado, 32 pessoas haviam sido mortas por policiais na Grande SP, um dos casos emblemáticos é a chacina de Osasco.  Antes de Moraes assumir o cargo de secretário, todas as estatísticas sobre segurança pública no Estado de São Paulo eram divulgados por volta do dia 25 de cada mês, a partir de sua gestão os dados começaram a aparecer de forma parcial e picotados de acordo com o interesse do próprio Alexandre e sua assessoria.

Brasília - Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes e o presidente interino Michel Temer na sanção da lei que disciplina o processo e julgamento do mandado de injunção individual e coletivo (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Juristas contrários à indicação de Alexandre de Moraes criticam também o período em que ele advogou para membros do Primeiro Comando da Capital, quando seu escritório atendeu a cooperativa Transcooper que teoricamente seria ligada ao PCC em um esquema de lavagem de dinheiro. Outro motivo de crítica é a ligação que Moraes tem com Eduardo Cunha, pois seu escritório de advocacia teve como um de seus clientes o primeiro réu da Lava Jato.

Filiado ao PSDB, Alexandre terá que se desfiliar do partido para poder fazer parte do grupo de ministros do STF e terá que ser sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e caso aprovado pelo colegiado deverá passar por análise do plenário da Casa.

Caso ganhe o assento no Supremo irá participar de votações importantes como a descriminalização da maconha e as investigações da Lava jato, que envolvem desde seu ex-cliente Eduardo Cunha até partidários tucanos que aparecem nas delações da operação.

A cada minuto que passa, mais podres de Alexandre começam a surgir e até começar sua sabatina no Senado e sua possível aceitação no Supremo mais argumentos contrários à sua ascensão pipocarão pela rede. Caso ele consiga chegar ao posto de ministro do STF, o teremos neste cargo até 2043.  Confira neste link do site Justificando alguns motivos que vão contra a aprovação de Moraes para o cargo.

E abaixo, um vídeo explicativo:

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