Sociedade

Capitalismo, o sistema da destruição ambiental e da publicidade

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Desde a modernidade o planeta tem sofrido com os desmandos econômicos e tecnológicos, jamais em um espaço tão curto de tempo viu–se tal degradação. Um dos fatores primordiais para dar continuidade à saga humana é entender e conciliar desenvolvimento econômico sem agredir o meio ambiente em suas diversas instâncias.

O mundo tem acompanhado mudanças climáticas e as transformações do meio ambiente, ambientalistas se sobrepõem aos céticos de plantão e apontam as causas do quadro que se desenrola.

Constantemente mensagens de consumo são disseminadas nos meios de comunicação atiçando o desejo de milhares de pessoas. Em contrapartida, políticas públicas pouco eficazes são propostas e pouco ou nada sai realmente do papel. A questão do consumo é problemática, tendo como sua forte aliada, a propaganda e suas mensagens de consumo se veem obrigadas a se reinventarem.

Nisso, a publicitária Dayane Manfrere, supervisora do departamento de mídia da Agência Almap BBDO, enfatiza. “Hoje a propaganda tem como objetivo, além de mostrar seu produto, ensinar sobre o consumo e principalmente sobre o seu descarte. É preciso conscientizar sobre o ciclo completo de consumo, isso consequentemente ajudará no desenvolvimento sustentável”, ressalta ela.

Já o economista e professor universitário, José de Almeida Amaral Júnior, vê a questão com um pouco mais de complexidade, segundo ele, a desigualdade social é um fator urgente. “Em 10 anos a humanidade aumentou o consumo de bens e serviços em 28%. E 16% da população mundial consome 78% de todos esses bens e serviços. É um desequilíbrio insano, pautado pela ideia do crescimento econômico que envolve a exploração dos recursos de forma bestial”, alerta ele.

Uma renovação no pensamento econômico faz–se necessário, sem novas alternativas em detrimento das antigas medidas não se chegará a um objetivo sério e concreto, complementa o economista. “Temos, então, o discurso da necessidade de uma nova abordagem ecológica se ampliando lentamente, mas, ao mesmo tempo, ainda predominante, a luta dos governos e empresários pelo crescimento do PIB nos moldes tradicionais. Uma contradição, sim. Porém, este é o cenário”.

O professor do Programa de Pós Graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP), Pedro Roberto Jacobi, é mais otimista em relação às perspectivas de consumo e exploração de recursos existentes, entretanto, esse é um processo nada fácil. “O primeiro aspecto a considerar é a possibilidade de exploração de recursos naturais de forma menos predatória. Não se trata de tarefa simples. Talvez o melhor exemplo seja o do avanço das energias renováveis e descentralizadas. Um segundo aspecto está associado com a redução das emissões. Mais uma vez tarefa complexa e que demanda mudanças na forma de produzir”, ressalta ele.

Em meio a discussões, dúvidas e possibilidades, o que fica é a capacidade humana de se reinventar e adaptar–se a outra realidade, embora o processo seja lento, é necessário para as atuais e futuras gerações. Repensar o consumo, a economia, as estratégias de comunicação, o sistema energético e hídrico são desafios sem precedentes que antes de tudo devem ser pautados por uma nova forma de se relacionar em sociedade, em um modo de vida menos consumista e hedonista.


Foto de abertura por: Kauê Pallone/Megafonia

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