Política

Brasília é ocupada por trabalhadores e Temer convoca tropas federais

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Milhares de pessoas ocuparam a Esplanada dos Ministérios em Brasília para protestar contra o governo Temer. Hoje, como pauta principal, os trabalhadores enfrentam as medidas de austeridade promovidas pela base governista no congresso, entre elas estão a reforma trabalhista e da previdência, assim como foi com a PEC dos gastos, uma das mais nocivas propostas e que já foi aprovada para entrar em vigor no ano de 2018. Além do desgoverno de Temer, há um escândalo envolvendo o presidente, que foi flagrado em uma gravação feita pelos donos do frigorífico JBS, Joesley e Wesley Batista, dando aval para comprar silêncio de Eduardo Cunha.

Para quem foi lutar contra a perda de direitos em Brasília, teve como resposta a violência policial. Como se já não bastassem os bloqueios e revistas arbitrárias contra as pessoas que compareceram ao ato, bombas de gás, efeito moral e tiros de bala de borracha foram lançados contra a população. Em um certo momento, policiais militares atiraram com arma de fogo contra manifestantes, ao menos 4 pessoas ficaram feridas gravemente. Veja o flagrante dos disparos no vídeo abaixo:

Com o acirramento da violência policial, a resistência do povo foi necessária junto à ação direta como resposta e demonstração de que não há uma população passiva e submissa à repressão armada do Estado. Com sucesso, ao todo foram sete ministérios atingidos pela resistência, enquanto barricadas atrasavam o avanço da PM. Com medo da ação popular, o fraco presidente pediu arrego às Forças Armadas, assinando um decreto com a desculpa de que era uma “ação de garantia de lei e da ordem em Brasília”. Apoiado pelo ministro da Defesa, Raul Jungman, milico que já cogitou intervenção militar no país, o presidente Michel Temer acabou mostrando a verdadeira face de seu governo, que desmantelado diante de uma crise econômica e social, se agarra no braço armado dos militares para resolver seus pepinos políticos.

O sistema político brasileiro se mostra cada vez mais autoritário, enquanto manifestações são criminalizadas pela mídia corporativista. A Globo da o maior exemplo de como repetir falácias aos montes pode produzir um clima de intimidação aos mais revolucionários no front dos protestos, chamando qualquer ação direta de vandalismo e criando uma narrativa rasa sobre a complexidade que envolve a luta, a mídia corporativista tenta abafar o verdadeiro espirito de liberdade que emana em cada um de nós. Os mais ricos tentam se manter de pé utilizando seus meios, seja na corrupção, com a ajuda da mídia ou com o lobismo dos grandes grupos empresariais e seus oligopólios. Enquanto a caguetagem rola solta em operações da justiça burguesa, os mais pobres continuam morrendo nas mãos da polícia e quando há protestos populares que buscam desafogar o proletariado deste lago podre a repressão aparece.

É preciso acirrar não só o combate e o confronto direto com o Estado, mas também desconstruir a narrativa que manipula e protege essa democracia morta. Sim, já não vivemos em tempos democráticos e caso você duvide disso tente sair de casa e protestar por aquele pagamento que não aparece há meses em sua conta, vá a rua e se manifeste contra o caos da saúde que fez com que os teus morressem na porta do hospital, ocupe sua escola ou universidade com seu círculo de afinidade  e veja que terá tiro, porrada e bomba como resposta do Estado.

Mesmo que a repressão e o autoritarismo se forme em nossa frente devemos enfrentar, temos que enfrentar. Que caia a república, que o povo derrube o sistema vigente e acabe com essa mamata que só favorece os interesses da burguesia, que esse fascismo travestido de Estado de Direito e o fantasma do regime militar sumam de vez da nossa realidade. No lugar, que um mundo novo se forme, onde a democracia direta se estabeleça e não o sufrágio burguês, com o trabalhador enfim no controle daquilo que ele produz. A realidade não pode ser o patrão, mas sim a autogestão, o apoio mútuo. Às lutas…

Foto de abertura por: Bárbara Dias/Fotoguerrilha.

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