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Leitura Anarquista: Bakunin sobre a Autogestão Operária

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Para comemorar o 1º de maio, nada melhor  do que um texto do nosso chapa, Mickhail Alexandrovitch Bakunin, sobre a Autogestão Operária. A organização do texto é feita pela L&PM no livro “Bakunin Textos Anarquistas”, que republicamos aqui no site.

I- Sobre a cooperação (Extraído do artigo: Da Cooperação, L’Egalité, Genebra, 21 de setembro 1869)

(…) Qual a finalidade da internacional? É emancipar a classe operária pela ação solidária dos operários  de todos os países. E qual o objetivo da cooperação burguesa? É tirar um número restrito de operários da miséria comum, para transformá-los em burgueses em detrimento da maioria.

(…) Suponhamos que mil homens sejam explorados e oprimidos por dez.  O que pensaríamos se, entre estes mil homens, houvesse vinte, trinta ou mais, que dissessem: ”estamos cansados de ser vitimas; mas como, por outro lado a prosperidade de um pequeno número exige o sacrifício do maior número, abandonemos nossos camaradas à sua sorte e, pensemos apenas em nós, para sermos felizes, transformemo-nos também em burgueses, em exploradores”.

Seria uma traição não é?

(…) Há  muitos entre eles que têm boa fé, que não enganam, mas se enganam. Não conhecendo, nunca tendo visto nem imaginado outra prática a não ser a prática burguesa, muitos dentre eles pensam que seria de bom alvitre recorrer a esta mesma prática para combater a burguesia. Têm a simplicidade de acreditar que o que mata o trabalho pode emancipá-lo, e que saberão aproveitar tão bem quanto a própria burguesia, contra ela, como a qual a burguesia os esmaga.

É um grande erro. Esses homens ingênuos não se dão conta da imensa superioridade que o monopólio da riqueza, da ciência e de uma prática secular, assim como o apoio aberto ou mascarado, mas sempre ativo, dos Estados, e toda a organização da sociedade atual, dão à burguesia sobre o proletariado. Seria uma luta demasiada desigual para que se pudesse esperar um sucesso razoável nestas condições. Além disso, as armas burguesas sendo a concorrência desenfreada, a guerra de cada um contra todos, estas armas, estes meios só podem servir à burguesia e destruiriam, necessariamente, a solidariedade, única força do proletariado.

(…)Nós também queremos a cooperação; estamos mesmo convencidos de que a cooperação em todos os ramos do trabalho e da ciência será a forma preponderante da organização social no futuro. Mas, ao mesmo tempo, sabemos que ela só poderá prosperar, desenvolver-se plenamente, livremente, e abarcar toda a indústria humana, quando for fundada na igualidade, quando todos os capitais, todos os instrumentos de trabalho, inclusive o solo, forem desenvolvidos, a título de prosperidade coletiva, ao trabalho.

Considerando, pois, esta revindicação antes de tudo, e a organização da força internacional dos trabalhadores de todos os países, como o objetivo principal de nossa grande associação.

Uma vez admitidos estes pressupostos, longe de sermos os adversários dos empreendimentos cooperativos no presente, consideramo-los necessário em muitos aspectos. Primeiramente, e aí está em nosso entender, no momento, sua vantagem principal, elas habituam os  operários a organizar, fazer, dirigir seus interesses por si próprios, sem nenhuma intervenção, seja do capital burguês, seja de uma direção burguesa.

É desejável que, quando a hora da liquidação social soe, encontre em todos os países, em todas as localidades, muitas associações cooperativas, que, se estiverem bem organizadas, e sobretudo alicerçadas nos princípios da solidariedade e da coletividade, não no exclusivismo burguês, transportarão a sociedade de seu estado atual ao da igualdade e da justiça sem grandes estremecimentos.

Mas, para que possamos cumprir esta missão, é preciso que a Associação Internacional só proteja as associações cooperativas que tiverem por base seus princípios.

II- Associação operária e prosperidade coletiva (Extraído de uma carta de 3 de janeiro de 1872 a Ludovico Nabruzzi)

É necessária a abolição do Estado, que nunca teve outra missão a não ser a de regularizar, sancionar e proteger, com a bênção da Igreja, a dominação das classes privilegiadas e a exploração do trabalho popular em proveito dos ricos. Logo, é preciso: a reorganização da sociedade, de baixo para cima, pela formação livre e pela livre federação das associações operárias, tanto industriais e agrícolas como científicas e artística, o operário tornando-se, ao mesmo tempo, homem de arte e de ciência, e os artistas e os sábios tornando-se também operários manuais, associações e federações livres, baseadas na propriedade coletiva da terra, dos capitais, das matérias-primas e dos instrumentos de trabalho, isto é, de grande propriedade que serve á produção, deixando para a propriedade individual, e também hereditária, somente as coisas que servem realmente ao uso pessoal (…)

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